11.7.09

Brasil, uma nação griô

A celebração das vivências griôs (experimentos de tradição oral) e de mediação de leitura na II Vila de Histórias nas Terras do Boi Falô – Encontro Nacional de Contadores de Histórias – culminará com a inédita aula-espetáculo “Brasil, uma nação griô”, no dia 11, às 20 horas, na sede da Associação Nina (Núcleo Interdisciplinar de Narradores Orais e Agentes de Leitura), com a participação de vários representantes da sociedade e governo, dentre eles, o secretário de Cultura do MinC, o campineiro Célio Turino.
A aula-espetáculo consistirá em uma grande e inusitada apresentação artística (musical, cênica e performática) em que atuarão todos os representantes das ongs participantes do Encontro, tendo como a linha mestra a pedagogia griô – que tem como referências teóricas e metodológicas a educação biocêntrica, de Ruth Cavalcante, a educação dialógica de Paulo Freire, dentre outros, voltados para o diálogo entre a tradição oral e a educação formal. O projeto pedagógico da Ação Nacional Griô foi idealizado pela educadora e griô Lilian Pacheco e a ong Grãos de Luz.

Nesse contexto, os artistas se integrarão para compor o evento, cada qual com sua particularidade, como uma forma de reverenciar a vivência griô e a mediação de leitura em diálogo com a educação formal, tendo também como base referencial a Lenda do Boi Falô. O grupo de batida de côco Bongar de Pernambuco deverá mesclar sua musicalidade com a performance dos mestres de capoeira, por exemplo. Também neste momento haverá uma homenagem especial ao primeiro artista-residente da Associação Nina, o multi-artista performático Hélio Leites.
“Elaboramos uma programação que desencadeará em um esplêndido espetáculo. Cada artista se apresentará em seu tempo, mas terá uma interação dele com outros, numa base de troca de vivência. Teremos uma mescla de atividades artísticas com um ritmo bem animador e alegre para também festejar o artista-residente da Associação, o também artista plástico Hélio”, explica o vice-presidente da ong Conta Brasil, Zé Bocca, que ministrou a oficina “O corpo conta” na II Vila.

A proposta da estadia “artista-residente” surgiu durante os debates do encontro e diálogos nos bastidores. Os representantes das ongs participantes, como Conta Brasil, Instituto Aletria, Ponto de Cultura Tá na Rua, Grupos Tainã, Bongar, Tambores de TO e Tapetes Contadores, vislumbraram assim, uma forma de criar um diálogo entre a Nina, o artista, a comunidade e a rede da Ação Nacional Griô, entidade à frente das políticas de transmissão dos saberes e fazeres da tradição oral em diálogo com a educação formal. “Nesse sentido, convidamos o mais completo contador de histórias do Brasil, o Hélio, que se apresenta na Vila pelo segundo ano consecutivo”, ressalta o artista Marcelo Alvo, um dos coordenadores da Nina.

Nesse dia, haverá uma mescla de ações artístico-literárias, resultados das vivências do II Vila, que contou com a experimentação biocênica do artista Marcos Brito, intervenção cênica com Hélio Leites, com a Cia Narradores Urbanos, mantenedora da Associação Nina que homenageará também o ensaísta Guilherme de Almeida , considerado o príncipe dos poetas. Conquistas como o ‘Bolsa-cultura’ – incentivo de R$ 280,00 oferecido para mestres griôs transmitirem o saber junto à educação formal – também será celebrado.

As celebrações não se resumem a essas cenas, mas se estendem. A coleta de assinaturas (necessário 1 milhão) para a criação da Lei Nacional de Ação Griô e o lançamento do mapeamento nacional de contadores de histórias através da ong Conta Brasil para criar um recenseamento e catalogar todos os profissionais ativos e disponibilizar os dados bem como regulamentar a atividade estão no script da aula-espetáculo. “A aula-espetáculo não estava na programação, será o primeiro espetáculo teatral concebido, articulado, produzido e realizado em rede nacional na história do teatro brasileiro por conta de nossas vivências na II Vila”, enfatiza o produtor cultural Satini, um dos coordenadores do Ponto de Cultura Tá na Rua (RJ).

A II Vila de Histórias nas Terras do Boi Falô – Encontro Nacional de Contadores de Histórias - é uma organização da Associação Nina em parceria com o Sesc-Campinas, prefeitura de Campinas e Ministério da Cultura. E contou com o apoio dos parceiros – Grupo Tainã, Urucungus Puitas e Quijengues
Dados comemorados na aula-espetáculo
Pontos de cultura no Brasil – 130
Griôs aprendizes, griôs e mestres de tradição oral bolsistas – 650
Pontos de Cultura (entidades de educação e cultura envolvidas) – 600
Estudantes brasileiros envolvidos – 130 mil
Bolsa-cultura griô – incentivo de R$ 280,00
Redes regionais para todo o Brasil – 7
Trilhas griôs (para fortalecimento da formação universitária de
griôs aprendizes e educadores) – 16


Sede da Associação NINA
"Vila Nina"
Rua Antônio Carlos Neves, 338,
Chácara Campos Elíseos.
Tel: (19) 3325.6651

Realização: Associação NINA e SESC Campinas

15.8.07

ESSA REDE...


...eu caio na rede, não tem que não caia...

9.8.07

UNE comemora seus 70 anos no espaço CUCA



A UNE no seu 70º aniversário, o famoso 11 de agosto, mostra porque é a senhora mais jovem do Brasil

Com uma história marcada por inúmeras conquistas e sempre presente nos mais importantes acontecimentos políticos e culturais do nosso país, a jovem UNE se prepara para os próximos 70 anos.
Isso mesmo! Venha no próximo sábado para o espaço CUCA Gianfrancesco Guarnieri e entre na festa dos 70 anos.

18h exibição de filmes
Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil (dir. Silvio Tendler)
Arquivo Gui: Honestino Guimarães (dir. Paula Damasceno)
20h lançamento do blog do Petta
blogdopetta.blig.ig.com.br
21h posse das diretorias UNE e UEE-SP
22h festa de encerramento
Projeto Fuá
DJ

23.7.07

2º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo


Em sua segunda edição, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo começa na próxima segunda-feira (23 de julho) e segue até o dia 29, com sessões gratuitas a serem realizadas na Sala Cinemateca/Petrobras, no Memorial da América Latina e no Cinesesc. A iniciativa tem como objetivo discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana.

O grande homenageado será o cineasta mexicano Paulo Leduc, que também participa como convidado. O evento trará, ainda, restrospectivas dedicadas ao fotográfo Gabriel Figueroa e a artista plástica Frida Khalo, além da Mostra Contemporânea, da Mostra Brasil Vê a América Latina, de Curtas Brasileiros, do Novo Cinema Latino-Americano e de filmes do acervo do Memorial da América Latina. Ao todo, serão exibidos 120 filmes de 16 países.

O Festival é uma realização do Memorial da América Latina, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e da Secretaria de Ensino Superior, com apoio da Cinemateca Brasileira, SescSP, Televisión Española, Consulado Geral do México em São Paulo e do Arquivo Nacional.

Especificamente a Sala Cinemateca/Petrobras (Largo Senador Raul Cardoso, n° 207 - Vila Mariana) exibirá obras contemporâneas e clássicas. Dentre elas Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade; A Adolescente, de Luis Buñuel; Reed, México Insurgente, de Paul Leduc; e O Céu de Suely, de Karim Ainouz. Veja a programação:

24/7 (terça-feira)
16h30 – O Rei de San Gregorio, de Alfonso Gazitúa Gaete
18h30 – Não É Você, Sou Eu, de Juan Taratuto
20h30 – Rosario Tijeras, de Emilio Maillé

25/7 (quarta-feira)
16h30 – A Grande Cidade, de Carlos Diegues
18h30 – A Mulher do Meu Irmão, de Ricardo de Montreuil
20h30 – O Inverno de Gunter, de Galia Gimenez

26/7 (quinta-feira)
16h30 – A Grande Feira, de Roberto Pires
18h30 – Frida Khalo, de Marcela Fernández Violante, e Reed, México Insurgente, de Paul Leduc
20h30 – J.C. Chávez, de Diego Luna

27/7 (sexta-feira)
14h30 - Ánimas Trujano, de Ismael Rodríguez
16h30 – As Mãos, de Alejandro Doria
18h30 – O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia

28/7 (sábado)
14h30 – Estamira, de Marcos Prado
16h30 – O Céu de Suely, de Karim Ainouz
19h – Menino de Engenho, de Walter Lima Jr.

29/7 (domingo)
14h30 – Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade
16h30 – Evocação de Frida, de Manuel Michel, e A Adolescente, de Luis Buñuel
18h30 – Yawar Mallku, de Jorge Sanjínez

Informações sobre a programação da Cinemateca:
www.cinemateca.gov.br e (11) 3512-6101/6111.

Saiba mais sobre o Festival:
www.festlatinosp.com.br.
(Texto: Thaís Alves, Secretaria do Audiovisual/MinC)
(Edição: Comunicação Social/MinC)
(Fonte: Cinemateca Brasileira)

29.6.07

CUCA integra ciclo de debates em Belo Horizonte sobre futuro da música


Coordenador Geral do CUCA, Tiago Alves, será um dos debatedores do Projeto StereoCubo. Evento é uma parceria do festival de música Stereoteca (MG) com o coletivo Espaço Cubo (MT)

As experiências do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE serão um dos elementos do ciclo de debates StereoCubo, em Belo Horizonte, que tem como objetivo discutir o futuro da música no Brasil. O evento, que é realizado em parceria pelo projeto Stereoteca(MG) e pelo coletivo Espaço Cubo (MT), acontece entre os dias 27 e 29 de junho (quarta à sexta).

O Stereocubo reune artistas, produtores, jornalistas, representantes do poder público e da iniciativa privada para refletir sobre a cadeia produtiva da música. O projeto discutirá estratégias de desenvolvimento sustentável para o circuito cultural no país.

O coordenador do Instituto CUCA Tiago Alves será um dos debatedores do evento, integrando a mesa "Dando um rolê: circulação cultural, festivais, feiras e circuitos universitários", junto com Pablo Capilé, gerente de planejamento do Espaço Cubo, Talles Lopes, Idealizador do Festival Jambolada de Uberlândia e Claudão Pilha, dono do bar "A Obra" de Belo Horizonte e idealizador do Campeonato Mineiro de Surf Music.

Tiago defende que o CUCA tenha um papel central nas iniciativas de valorizar a cultura independente no país: "A música e as outras formas de arte no país estão se transformando, com menos dependência do mercado e mais autenticidade. As coisas vão acontecer a partir desses encontros e o CUCA pode contribuir muito"diz.

A iniciativa do StereoCubo, segundo Tiago Alves, deveria acontecer com mais freqüência. "Todo evento que possibilita dialogo com pessoas e instituições que articulem a cultura é importante. Dessa maneira conhecemos experiências e aprimoramos a visão que temos do nosso trabalho"

Ele explica que, através da Rede do Projeto Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, o CUCA pode contribuir para a circulação das produções artísticas entre os estados. Além disso, Tiago lembra que, recentemente, o CUCA inaugurou um Centro Cultural em São Paulo que fomentará as novas formas de arte e expressão na cidade: "Teremos um estúdio de ensaio e vídeo, uma sala de ensaios e um palco para apresentações. Tudo isso será gerido democraticamente pelos próprios artistas", diz.

Stereoteca
Aumentando o volume da boa música em meio aos livros da Biblioteca Pública de Belo Horizonte, o projeto Stereoteca promove, semanalmente, encontro musicais entre artistas independentes de Belo Horizontes. De junho a outubro serão 19 shows, num percurso que vai do rap à mpb, da surf music belo-horizontina ao regional, da música eletrônica à musica pop.

O formato extensivo e regular (com shows todas as semanas) proporciona a formação de público - um dos principais objetivos do Stereoteca - e oferece uma opção cultural de qualidade, numa região de fácil acesso, a preços populares. Aos músicos, o Stereoteca representa a oportunidade de um show com excelentes condições técnicas, divulgação adequada (site com download de mp3, material gráfico e assessoria de imprensa) e recursos para uma boa produção, convidados, etc. Todos os anos, o Stereoteca também promove um momento de reflexão sobre a produção cultural no estado.

Espaço Cubo
O Espaço Cubo, uma organização coletiva informal de Cuiabá, iniciou suas atividades em 2002. Desde o princípio,inovou com um discurso voltado para o desenvolvimento da cena cultural em Mato Grosso. Suas ações sempre foram planejadas para fomentar um mercado autoral, alternativo e auto-sustentável.

Através de diversos projetos em nível municipal, estadual e federal, eles aumentaram em dez vezes a verba investida na cultura alternativa do estado, criaram um sistema de crédito e investimento para os artistas, produtores, estúdios e casas de show. Organizam festivais como o "Circuito Fora do Eixo" e o "Grito Rock Festival", primeiro evento alternativo simultâneo em doze estados brasileiros.

O Espaço Cubo também se dedica a projetos de audiovisual e investe na transversalidade da música com outros segmentos como a literatura, artes cênicas e artes plásticas, além de fomentar a criação de zines, blogs e outras mídias independentes.

Programação StereoCubo

27/06 (quarta-feira)

18h Abertura: palestra com o núcleo de gestores do Espaço Cubo
Pablo Capilé – Gerente de Planejamento
Marielle Ramires – Gerente de Comunicação
Lenissa Leriza – Cubo nas Escolas

20:30h Show de lançamento do CD do grupo "Meninas de Sinhá" no projeto Stereoteca
Teatro da Biblioteca (Pça da Liberdade)

28/06 (quinta-feira)

18h Bate-papo "Criação e formação artística"
Rufo Herrera – compositor e instrumentista
Lenissa Leriza - Cubo nas Escolas
Cristina Brasil- Instituto Libertas

20:10h Bate-papo "Dando um rolê: circulação cultural, festivais, feiras e circuitos universitários"
Claudão Pilha- Idealizador do Campeonato Mineiro de Surf Music de Belo Horizonte
Talles Lopes – Idealizador do Festival Jambolada de Uberlândia
Tiago Alves – Coordenador da Bienal da UNE e do Circuito Univ de Cultura e Arte (CUCA)
Pablo Capilé – Espaço Cubo
Mediação: Danusa Carvalho – produtora artística e cultural
Espaço Cultural Ambiente (Rua Grão Pará, 185, Sta Efigênia)

29/06 (sexta-feira)

18h Bate-papo "Sustentando a base: cooperativas e associações"
Carlos Zinbher - Compositor, instrumentista e pres. da cooperativa dos músicos SP
Vitor Santana – Diretor da Sim (Sociedade Independente da Música de MG)
Weber Lopes – Presidente da Ammig (Associação dos músicos de MG)

20:10h Bate-papo "Comunicação e difusão"
Marielle Ramires – Comunicação do Espaço Cubo
Kiko Ferreira – Programação musical/Rádio Inconfidência
Israel do Vale – Rede Minas
Mediação: Makely Ka

19.6.07

Guarnieri, presente! Entidades Estudantis inauguram Centro Cultural em homenagem ao ator


A noite do sábado, 16 de junho, celebrou a inauguração do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) Gianfrancesco Guarnieri. Com a presença de familiares do ator e personalidades políticas, a UNE deu início ao funcionamento de um novo e ousado núcleo de produção artística, localizado na rua Vergueiro, 2485, tradicional endereço da sede das entidades estudantis. Ali, também moram as outras parceiras do projeto: UEE-SP, UBES e UPES

Cerca de 400 pessoas participaram. Entre as figuras que circulavam pelo novo espaço, estavam três ex-presidentes da UNE: o ministro do Esporte, Orlando Silva (95/97) e seu colega de pasta, Wadson Ribeiro (99/01); além do deputado federal Aldo Rebelo (80/81). Quem também passou por lá foi o ex-diretor da UNE, Danilo Moreira, hoje Secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude.

Velha guarda sempre presente! Mas o pessoal que leva adiante hoje a idéia também compareceram. O CUCA do Rio de Janeiro trouxe uma "van" com 15 pessoas. O pessoal de Votuporanga, no interior de São Paulo, que recentemente fundou um núcleo CUCA, também prestigiou a inauguração.

Com a casa lotada, no início da noite, por volta das 19h30, esquetes teatrais dirigidas por Heron Coelho contaram um pouco da vida e obra de Gianfrancesco Guarnieri, destacando sua produção artística sempre ligada à sua trajetória política. A apresentação contou com a participação de Vânia Bastos, Nábia Vilella, José Eduardo Rennó, Adriana Moreira, Rodrigo Fabbro, Junior Pitta, Rafael Moreira, IVO 60, Cia. de Domínio Público, Grupo A.L.M.A., além da participação especial de Marília Medalha.



Homenagens
Encerrada as apresentações, a viúva de Guarnieri, Vanya Sant’anna, e os familiares do ator foram homenageados com uma placa pelo presidente da UNE, Gustavo Petta e o Coordenador-geral do CUCA, Tiago Alves.

Visivelmente emocionada, Vanya disse que o momento era especial e toda aquela energia da juventude ali presente com certeza manteria a obra de Guarnieri mais viva do que nunca. Elogiou o espaço, que ela ainda não conhecia, e falou que a partir daquele dia o local seria a morada cultural e intelectual oficial do ator.

O presidente da UEE-SP, Augusto Chagas, numa referência ao sentido político e social que a obra de Guarnieri sempre carregou, fez questão de homenagear todos os trabalhadores envolvidos na obra. Ele entregou uma placa ao mestre de obras, "Seu Santos", e ao engenheiro Barreto.

Para Barreto, coordenar a construção de um Centro Cultural para a UNE é contribuir para que a veia contestatória da juventude continue sempre ativa. "Foi um prazer e acho que este espaço servirá para os estudantes darem continuidade à luta que sempre fizeram em defesa do país", disse.

Depois, o presidente da UNE e o Coordenador-geral do CUCA também receberam homenagens pela contribuição que deram para a cultura universitária ao levarem adiante a idéia de erguer o espaço.

Samba
O Grupo Inimigos do Batente deu continuidade à festa. O samba animou o pessoal até o comecinho da madrugada, quando a cuíca silenciou e o pandeiro parou. É que o CUCA, além de tudo, faz também a política da boa vizinhança. As atividades sempre vão ocorrer dentro dos horários da lei do silêncio, para que o sono dos moradores seja embalado pelo o que de melhor existe na atual produção cultural universitária.

Depoimentos
Durante a festa da inauguração, a reportagem do EstudanteNet colheu alguns depoimentos sobre o novo Centro Cultural. Confira:

Vanya Sant’anna - Viúva de Gianfrancesco Guarnieri
"O fato de existir este centro cultural é maravilhoso, porque a UNE tem uma tradição histórica de luta a favor da cultural popular. Este lugar aqui chamado Gianfrancesco Guarnieri levou a mim e a família toda a nocaute. O espaço é excelente. Todo mundo está muito feliz e alegre, o que dá uma sinergia fantástica. Acho que será uma maravilha esta convivência, já falei que daqui para frente este espaço será a morada cultural e intelectual do Guarnieri. Tudo quanto é coisa que for relacionada a ele eu quero contar com apoio da UNE"

Flávio Guarnieri - Filho de Gianfrancesco Guarnieri
"A homenagem foi belíssima, emocionante. Meu pai sempre foi um estudante muito ativo, na luta para que a gente tivesse um mundo mais digno, um mundo melhor. Conquistamos muitas coisas, graças a pessoas como Guarnieri, mas ainda temos muito a conquistar. Quando entrei no centro hoje eu vi isso. Vi que existe pessoas que realmente ainda estão preocupadas com um mundo melhor para todos, como o Guarnieri sempre se preocupou. O povo brasileiro ainda não é um povo livre, um povo totalmente independente. Ainda termos muito a buscar nesta liberdade. Uma coisa que é extremamente bonita é olhar para o lado e saber que existem muitos jovens dispostos a continuar nesta luta. Essa é uma das grandes homenagens que ele recebe enquanto vivo, porque Guarnieri pra mim está vivo, continuará vivo sempre em nossos corações e nos de todos os brasileiros"

Orlando Silva - Ex-presidente da UNE e atual Ministro do Esporte
"O Centro Cultural consolida o atual trabalho cultural da UNE. É importante destacar que a entidade tem uma história de participação e contribuição para a cultura nacional. Esse local aqui só vem mostrar que a UNE continua sintonizada com esta área e traz para o povo de São Paulo um espaço privilegiado para as manifestações artísticas da juventude. Com certeza será um lugar onde a criatividade e ousadia dos jovens estarão sempre presentes, mantendo viva a imagem do Gianfrancesco Guarnieri"

Cacau Guarnieri - Filho de Gianfrancesco Guarnieri
"Qualquer espaço que parta dos estudantes, que parta desta luta constante dos estudantes é sempre um espaço de resistência a mais na cidade. Se fosse uma homenagem para outra pessoa, e se meu estivesse vivo, com certeza ele estaria aqui presente. Não poderia ser outro lugar. Não são os empresários, não são os donos das coisas que estão homenageando o Gianfrancesco. São os estudantes de onde ele partiu. Ele partiu do movimento estudantil, da luta para o teatro. Acho que o importante mais do que nunca agora é seguir fazendo as coisas dessa forma, independente da mídia, das tendências que vem lá de cima. Cada vez que um estudante aqui fazer alguma peça, exibir um filme, fazer um show, vai ser um pouco do meu pai que estará presente e nós como filhos ficamos muito orgulhosos com isso".

Danilo Moreira - Ex-diretor da UNE e atual Secretário-adjunto da Secretária Nacional da Juventude
"Fazer um cuca funcionar aqui na sede das entidades na verdade consolida definitivamente o compromisso da UNE, da UBES e de todo o movimento estudantil com a cultura.. Sempre acompanhei de perto do trabalho cultural da UNE e era difícil você convencer a direção da entidade de que a cultura era uma coisa importante, um instrumento para a política e uma importância simbólica muito grande. É bom que isso seja jeito já baseado em uma de uma rede construída no país inteiro. O movimento estudantil abraçou e vez esta causa. O interessante agora é que não precisamos mais falar do passado, falar do CPC. Agora, falamos das Bienais e do trabalho real do CUCA que já tem uma história longa"

Gustavo Petta - Presidente da UNE
"O Centro Cultural foi construído para manter viva a obra de Gianfrancesco Guarnieri através das novas experimentações dos estudantes. A UNE sempre teve este caráter de incentivo à cultura, nunca esquecendo a sua importância na formação do povo brasileiro e na construção de uma identidade nacional. A partir de agora, aqui será a casa dos jovens artistas que tem comprometimento com tudo isso"

Ana Cristina - Atriz e Ex-Coordenadora do CUCA
"Fico muito feliz e impressionada com a disposição do pessoal que abarcou o CUCA e construiu este Centro Cultural. Quando perdemos nossa sede, no bairro Barra Funda, há dois anos, o projeto aqui em São Paulo acabou se desarticulando. Sem um espaço físico, acaba acontecendo uma dispersão natural., Por isso a importância deste belo espaço para o fortalecimento da rede cultural da UNE. Agora, é começar a produzir e dar vida ao local.

Wadson Ribeiro - Ex-presidente da UNE e atual Secretário Executivo do Ministério do Esporte
"Este espaço ajuda a consolidar um movimento iniciado já há algum tempo que sempre esteve muito presente na vida da UNE, que é o movimento cultural. È muito difícil ao criar um movimento cultural você ter um espaço que posso democratizar apresentações, espaço para intercâmbio, para troca de idéia, para promoção das coisas que são produzidas dentro da universidade... Então, acho que o espaço aqui hoje contribui neste sentido. Ele tem que ser um espaço do movimento estudantil. Para quem produz e não tem espaço dentro da indústria cultural, mas também para aqueles que tem espaço dentro do mercado e estão sintonizados com as idéias do CUCA. O que mantém vivo e faz com o CUCA se fortaleça e cresça é a dedicação de cada um que acredita na idéia. Espero que todos possam participar cada vez mais, porque esta é uma empreitada importante não apenas para o debate da cultura em nosso pais, da afirmação de valores, mas sobretudo está também ligada à construção do sonho de uma sociedade diferente"

Aldo Rebelo - Ex-presidente das UNE e hoje Deputado Federal
"A UNE sempre teve como ponto forte da sua atividade a cultura. Essa é a tradição da UNE. Tradição da cultura nacional com base nos valores da história, das tradições do nosso povo, do nosso país e com base também no caráter universal da luta pela liberdade. E acho que hoje é um momento importante da trajetória da UNE como uma entidade importante da vida não apenas dos estudantes da juventude, mas do povo brasileiro. A homenagem ao Gianfrancesco Guarnieri representa a opção da UNE pela cultura nacional, pela cultura popular, pela cultura da identidade do nosso povo que ele representa pela sua obra, pela sua trajetória de vida, pela sua opção não apenas como artistas, mas como intelectual militante. Pela vida que construiu a serviço de causas fundamentais para o Brasil, a causa da liberdade, a causa dos interesses do povo brasileiro"

Tiago Alves - Coordenador-geral do CUCA
"A figura do Gianfrancesco Guarnieri como ator militante sempre influenciou as nossas ações dentro do movimento estudantil cultural. O momento é de festa, mas também de muita responsabilidade. Carregamos o nome de um dos mais importantes a atores brasileiros das últimas décadas. Depois de um corre corre conseguimos inaugurar o espaço em tempo. Daqui para frente, vamos nos organizar melhor, definir a nossa programação e tocar o Centro Cultural com a um incentivo e disposição muito maiores"


www.une.org.br

16.6.07

Coordenador do CUCA fala sobre o Centro Cultural Giangrancesco Guarnieri


Tiago Alves, coordenador do Instituto CUCA da UNE, fala sobre o Centro Cultural Gianfrancesco Guarnieri
Festa de inaugurção acontece a partir das 19h, na rua Vergueiro, 2485, em São Paulo. O evento é aberto ao público e vai contar com a presença de familiares de Gianfrancesco Guarnieri

Neste sábado (16), a UNE inaugura o Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) – Gianfrancesco Guarnieri. Trata-se de um novo espaço para a manifestação das mais diversas expressões culturais dos estudantes. É assim que o Coordenador-geral do CUCA, Tiago Alves, enxerga esta ousada iniciativa das entidades estudantis, que decidiram levar adiante a proposta de construção do local. "Um local que acolha, sem burocracias ou cobranças de retorno financeiros, as mais diferentes experimentações dos jovens artistas", diz
Nesta entrevista exclusiva para o EstudanteNet, ele explica como vai será gerido a nova sede do CUCA-SP e como a arte universitária será impulsionada a partir do seu funcionamento. "Vamos dar início a uma grande troca cultural. É assim que nós queremos construir um grande circuito cultural universitário", conta.
Sobre a homenagem a Guarnieri, Tiago destaca o fato do ator representar uma verve contestatória e um engajamento com as questões sociais característicos do movimento estudantil. Guarnieri, aliás, foi diretor da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da UNE, o famoso CPC.

Quer saber mais sobre o mais novo centro cultural de São Paulo? Leia trechos da conversa que o EstudanteNet publica abaixo:


Qual o papel que o Centro Cultural terá no fortalecimento da produção artística dos estudantes?
A construção deste Centro é um sonho antigo do CUCA de São Paulo e que só foi possível com o apoio das entidades estudantis: a UNE, UEE-SP, UBES e UPES. Talvez uma das principais dificuldades de quem faz arte independente é a falta de espaço para ensaiar a peça, expor o trabalho, gravar o disco, ter um palco para apresentar a sua banda, enfim, um local que acolha, sem burocracias ou cobranças de retorno financeiros, as mais diferentes experimentações dos jovens artistas. Então, é dentro deste contexto que o CUCA Gianfrancesco Guarnieri surge. O objetivo é se tornar uma referência, um ponto de encontro, convergência e divulgação das expressões artísticas dos estudantes.

De que forma o espaço vai incentivar a consolidação da rede dos CUCA’s?
Ter uma sede significa poder trazer para São Paulo, com uma facilidade muito maior, o que está sendo feito nos outro CUCA’s espalhados pelo país. Vamos dar início a uma grande troca cultural. Por exemplo, o pessoal de Campina Grande, na Paraíba, trará uma exposição de artes plásticas para cá. Depois, a gente levará uma mostra de curtas-metragem produzidos pela galera paulista para lá. E tem os artistas de outros estados que querem se apresentar aqui em São Paulo e não tem oportunidades Eles ainda poderão utilizar de toda a estrutura, inclusive o estúdio para gravação audiovisual. Assim que a rede funciona. É assim que nós queremos construir um grande circuito cultural universitário.

Como vão funcionar as atividades do Centro Cultural? Qualquer um pode participar?
O Centro Cultural será gerido por diferentes vertentes da arte. Por enquanto, o grupo é formado por 20 pessoas de diferentes coletivos, como as companhias teatrais Ivo 60, Domínio Público, Grupo A.L.M.A., Cia. Comédias, Tragédias e Self-Service, além de estudantes do Teatro Escola Macunaíma e da ECA-USP. Duas coordenadoras, Vanessa Stropp e Bárbara Campos, serão as responsáveis por marcar as reuniões que vão acontecer a cada dois meses e também pela programação do Centro.
O CUCA é um movimento estudantil da cultura. Então, qualquer um pode participar, sem restrição alguma. Se você tem um projeto, uma banda, um coletivo de audiovisual, basta procurar a gente aqui na rua vergueiro. Vamos sempre estar procurando criar coisas novas para abrir mais espaço, porque desta forma vamos conseguir atender à grande demanda. As nossas portas estarão sempre abertas.

Porque a homenagem a Gianfrancesco Guarnieri?
O nome do Guarnieri foi um consenso geral entre todos nós. A sua figura como ator militante sempre influenciou as nossas ações dentro do movimento estudantil cultural. Hoje, numa sociedade em que a cada 15 minutos alguém aparece na tv para se dizer e posar de artista, a figura de Guarnieri deve sempre ser lembrada como exemplo, porque ele sempre teve na sua vida artísticas um engajamento muito grande nas questões sociais e políticas. Guarnieri é uma grande referência para todos nós, principalmente porque participou do Centro Popular de Cultura, o famoso CPC da UNE, que inovou, experimentou e transformou a cultura brasileira. Ele ainda foi dirigente estudantil, sendo secretário da União Paulista dos Estudantes Secundaristas.
Guarnieri foi um artista que acreditou que através da arte e da cultura é possível ganhar pessoas para lutas coletivas e sociais. Nós também acreditamos. Ele simboliza tudo isso e essa homenagem é mais do que merecida. Foi um ator engajado a vida toda e nunca escondeu isso, sempre fez questão de dizer claramente o que pensavam o que achava, por que lutava.

De que forma o CUCA enxerga hoje a produção cultural dos estudantes?
Com certeza, e isso foi provado na 5ª Bienal da UNE, a produção cultural universitária está muita mais preocupada com a qualidade dos seus produtos finais. Acho isso extremamente positivo, porque não adianta querermos fazer uma arte sem qualidade, porque temos grande potencial para produzirmos o que de melhor existe hoje no cenário brasileiro. As novas tecnologias possibilitam isso, sem contar as frentes de ações organizadas por jovens universitários engajados: os coletivos, as rádios livres, os grupos de intervenção, tudo isso vem somar à qualidade do trabalho cultural dos estudantes. E CUCA faz parte disso, é mais uma peça dentro deste jogo da resistência da contracultura.


Serviço:
Inauguração do Centro Universitário de Cultura e Arte Gianfrancesco Guarnieri
Data: 16 de junho
Horário: 19h
Local: Rua Vergueiro, 2485 – Vila Mariana. São Paulo
Esquetes Teatrais e show com Inimigos do Batente
Mais informações: Vanessa Stropp (11) 7219.4001 / 5572.1119


ENTRADA FRANCA